quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Julia Child faria 100 anos; especialistas falam sobre o ícone

Fonte Culinaria

Julia Child é homenageada pelo Google 

Julia Child poderia ter sido apenas mais uma apresentadora de programa de culinária. Mas foi com seu jeito original e bem-humorado, saudando sua audiência com um largo sorriso e um sonoro “Bon Appétit”, que ela conquistou de “simples mortais”, ávidos por aprender a cozinhar, a célebres nomes da gastronomia mundial.

Embora tenha falecido no ano de 2004, dois dias antes de completar 92 anos de idade, a chef californiana continua sendo atual e, diga-se de passagem, muito bem citada pelos entendidos do assunto. “Julia Child foi a figura mais importante, influente e com poder de mudança da história da gastronomia americana. Tudo se volta para ela”, disse o renomado chef americano Anthony Bourdain, do programa de TV de culinária Anthony Bourdain: No Reservations, ao jornal Huffington Post. “Ela será lembrada pelo que ela fez nessa terra, que era inspirar milhares de pessoas a cozinhar – e comer – melhor”, acrescentou.

Neste dia 15 de agosto Julia completaria 100 anos de idade. Em 2009, seu encontro com a culinária foi retratado no filme Julie & Julia, protagonizado pela atriz Meryl Streep. Desafiando a própria inabilidade na cozinha, ela começou a se aventurar nas panelas tardiamente. “Eu tinha 32 anos quando comecei a cozinhar. Até então eu só comia”, disse, certa vez.

Após se mudar para França, para acompanhar o marido militar, resolveu afastar o tédio se matriculando nas aulas de culinária oferecidas pela escola Le Cordon Bleu – decisão que acabou mudando a sua vida. Com bom humor e persistência, ela se entendeu muito bem com as técnicas francesas e acabou por compartilhar o que aprendeu com milhares de pessoas por meio de seus programas de TV e livros, entre ele, a “bíblia” Mastering the Art of French Cooking (em tradução livre, Dominando a Arte da Culinária Francesa). “Julia foi uma mentora para mim. Ela influenciou completamente a forma como me aproximo e preparo comida. Ela ajudou a mudar a forma como os americanos enxergam o ato de cozinhar e de jantar”, afirmou o chef americano Emeril Lagasse, que tem programas de TV de culinária e livros sobre o assunto.

Yes, you can Incentivar aqueles que não nasceram com o dom para a cozinha, mostrando que todos são capazes, é uma das marcas de Julia. Não por acaso, a Julie (Amy Adams) do filme Julie & Julia (2009) se aventurou a fazer as 524 receitas do livro da chef e postar a experiência em um blog. Na vida real, Julia continua inspirado blogueiras no Brasil e no mundo. Para a comunicadora Maria Regina Carriero, 31, que assina o blog Fogão Azul, o principal mérito de Julia foi mostrar que qualquer um poderia cozinhar, “que isso não era simplesmente um dom divino restrito a poucos sortudos”. “Ela começou tarde, se dedicou muito, aprendeu e virou referência. O jeito dela era incomparável. Uma mulher daquele tamanho, um tanto desengonçada, completamente diferente das mocinhas prendadas da época, e fazendo pratos tão ricos, tão vistosos. Impossível resistir”, afirma.

Outro ponto observado por Maria Regina Carriero é a forma como Julia escolhia o que ia para a panela. “O que admiro muito na Julia é o uso de ingredientes dos quais hoje todo mundo foge. Ela não tinha medo de gordura boa e eu compartilho desse amor. Capricho na manteiga, no azeite e no creme de leite fresco. Eu fujo é de margarina, óleo de soja e tudo que é light. Prefiro gordura de verdade a espessante barato. Pelo sabor e pela saúde”.

Letícia Massula, 40, cozinheira da capital paulista, é uma das autoras do blog Cozinha da Matilde e acredita que o fato de Julia democratizar uma culinária tão refinada foi um dos aspectos que a elevou ao status de ícone. “Ela teve a oportunidade de conhecer e estudar a gastronomia francesa direto da fonte, em uma época em que poucas pessoas podiam e tinham interesse em fazer isso”, diz. Para ela, a omelete francesa de Julia tem uma particularidade especial. “Ela parte de uma manteiga quase queimada, o que confere muito mais sabor ao preparo”, observa. Francês para não-franceses

Julia tinha um jeitão todo irreverente de mostrar suas receitas – era capaz de virar uma panqueca de forma desajeitada, deixando cair metade para fora da massa, após acabar de falar, em rede nacional, que “para virar qualquer coisa, é preciso ter coragem”.

E foi justamente essa simplicidade que acabou se tornando uma de suas marcas registradas, uma vez que popularizou a então inacessível culinária francesa. Patty Martins, 43, de Garanhuns, interior de Pernambuco, que assina o blog Aqui na Cozinha, acredita que Julia foi inovadora. “Ela é atual e continuará sendo, pois não se resume a ser uma chef. Ela nos ensinou o valor da simplicidade e nos deu lições para encarar a vida com leveza, curtindo cada momento por mais simples e pequeno que ele seja”.

Juliana Stelli, 29, pedagoga de Recife, Pernambuco, do blog Pitadinha, concorda. “Ela foi a fundo, pesquisou, entendeu os processos de cozimento e revelou o maravilhoso mundo da gastronomia francesa para quem quisesse prepará-la em casa. Ela se propunha a descomplicar as coisas, a mostrar que a tão purista culinária francesa era acessível e possível a todos”. Entre as receitas de Julia que ela já arriscou em casa, está o Potage Parmentier. “Nada mais é do que uma sopa de batatas com alho-poró, simples, aveludada e perfumadíssima, perfeita para os dias frios”, recomenda.

Já Tatiana Romano Leonard, 35, psicóloga de Sorocaba, São Paulo, do blog Panelaterapia, testou o famoso Boeuf Bourguignon. “Ficou exatamente como eu imaginava e como foi descrito na receita”, lembra. “Acho que a maneira didática como ela transmitia, tornando possíveis até os pratos mais complexos, era um grande diferencial”.

Para Larissa Januário, 33, jornalista de gastronomia e autora do blog Sem Medida, de São Paulo, Julia “foi a grande responsável por inserir na América a cozinha francesa de forma popular, numa época em que a informação não transitava com tanta velocidade”. “Ela comprou uma briga intensa para isso. E se hoje temos tanto da cozinha francesa em nosso dia a dia, devemos a Julia, que popularizou isso”, reforça. “Para mim ela traz principalmente o amor pela comida, a vontade de aprender a cozinhar e de repassar esse aprendizado. Além disso, ela estudou numa das escolas de gastronomia mais conceituadas do mundo até hoje, a Le Cordon Bleu. Numa época em que só homens faziam isso. Precisou de muita coragem e ousadia e conseguiu”, finaliza.

Homenagens ao ícone Em homenagem ao centenário de Julia Child, 100 chefs americanos criarão menus e eventos especiais em diferentes pontos do país, segundo informa o jornal USA Today. Nomes como Barbara Lynch, de Boston, Traci Des Jardins, de San Francisco, Emeril Lagasse (com nove restaurantes em quatro cidades), Michel Richard em Washington, D.C. e Alice Waters em Berkeley, participam da ação, inspirados na chef e apresentadora de TV. Além disso, o Museu Nacional da História Americana, localizado em Washington, irá reabrir a exposição A Cozinha de Julia Child, de 15 de agosto a 3 de setembro. O local exibirá também episódios raros do programa The French Chef (em tradução literal, A Chef Francesa).

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